Plantas medicinais na menopausa: guia de cuidados

Plantas medicinais na menopausa e cuidados naturais

As plantas medicinais na menopausa despertam interesse entre mulheres que buscam conhecer possibilidades de autocuidado durante essa fase da vida. Além disso, a tradição popular e a pesquisa científica podem contribuir para ampliar esse conhecimento. No entanto, é importante compreender os possíveis benefícios e os cuidados necessários com responsabilidade.

A natureza sempre fez parte da história do cuidado com a saúde. Ao longo das gerações, diferentes povos aprenderam a reconhecer plantas, preparar infusões e transmitir conhecimentos sobre seus usos tradicionais. No Brasil, essa relação ganha um significado especial, tanto pela diversidade cultural quanto pela riqueza de sua biodiversidade vegetal. Além disso, esses saberes tradicionais representam uma importante herança cultural que merece ser conhecida e valorizada.

Quando falamos da saúde da mulher, especialmente durante o climatério e a menopausa, esse conhecimento desperta grande interesse. No entanto, como podemos aproximar a sabedoria tradicional das descobertas científicas? Além disso, o que sabemos, de fato, sobre as plantas estudadas para aliviar os sintomas dessa fase da vida?

A riqueza das plantas medicinais no Brasil

O Brasil abriga uma das maiores biodiversidades vegetais do planeta. Parte desse patrimônio está ligada aos conhecimentos tradicionais de povos indígenas, comunidades quilombolas e outros grupos que, ao longo do tempo, desenvolveram diferentes formas de relação com as plantas.

Reconhecer esse legado também significa compreender a importância da pesquisa científica, da preservação ambiental e do uso responsável dos recursos naturais.

No campo das políticas públicas, o país conta com a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos e com a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no Sistema Único de Saúde (SUS). Essas iniciativas valorizam o conhecimento tradicional e incentivam o acesso seguro, a pesquisa e o uso racional de plantas medicinais e fitoterápicos.

O Ministério da Saúde também mantém a Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS (ReniSUS), que reúne espécies com potencial para estudos e desenvolvimento de produtos. É importante esclarecer que a inclusão nessa relação não significa que todos os usos populares dessas plantas tenham eficácia comprovada.

Menopausa: uma fase de transformações

A menopausa corresponde ao fim natural dos ciclos menstruais, confirmado retrospectivamente após 12 meses consecutivos sem menstruação, quando não há outra causa para essa ausência.

A transição que a antecede, chamada climatério, pode envolver alterações no sono, no humor, na disposição e na resposta do organismo às mudanças hormonais. Algumas mulheres apresentam ondas de calor e sudorese noturna; outras passam por essa fase com poucos sintomas.

Cada experiência é particular. Por isso, o cuidado deve considerar as necessidades, o histórico de saúde e as preferências de cada mulher, sem transformar a menopausa em uma doença nem minimizar os desconfortos que ela pode trazer.

Plantas medicinais na menopausa: tradição, benefícios e cuidados

Uma das plantas estudadas nesse contexto é a soja, cujo nome científico é Glycine max (L.) Merr.

A soja contém isoflavonas, compostos vegetais conhecidos como fitoestrogênios, pois apresentam atividade biológica que pode interagir com receptores de estrogênio. Por esse motivo, essa característica despertou o interesse dos pesquisadores em investigar seus possíveis efeitos durante o climatério e a menopausa.

No Brasil, as isoflavonas de soja constam entre os fitoterápicos relacionados pelo Ministério da Saúde para uso coadjuvante no alívio de determinados sintomas do climatério, como ondas de calor e sudorese.

Entretanto, é fundamental fazer uma distinção: os estudos e as indicações se referem a preparações específicas de isoflavonas, e não a qualquer alimento, infusão ou chá feito com soja.

Além disso, as pesquisas apresentam resultados variados. Algumas revisões científicas encontraram benefícios para determinados sintomas, enquanto outras não observaram efeitos significativos sobre as ondas de calor e outros desconfortos. Dessa forma, é necessário considerar a qualidade das evidências, as diferenças entre os produtos estudados e as características de cada pessoa.

Por fim, a soja pode fazer parte de uma alimentação equilibrada. No entanto, consumir seus grãos ou derivados não equivale a utilizar um produto fitoterápico padronizado.

Chá, planta medicinal e fitoterápico são a mesma coisa?

Embora essas expressões estejam relacionadas, elas não significam exatamente a mesma coisa.

O chá ou a infusão é uma forma de preparo de partes de determinadas plantas, geralmente com água quente. Já os fitoterápicos são produtos medicinais obtidos de matérias-primas vegetais, preparados e controlados segundo critérios específicos de qualidade e segurança.

A quantidade de substâncias presentes em uma planta pode variar conforme a espécie, o cultivo, a parte utilizada, o armazenamento e o preparo. Por essa razão, não é possível presumir que um chá caseiro tenha a mesma composição ou o mesmo efeito de um produto estudado em pesquisas clínicas.

Essa distinção é especialmente importante quando o objetivo é aliviar sintomas persistentes ou quando a pessoa utiliza outros medicamentos.

Conhecer as plantas medicinais na menopausa pode ajudar a compreender melhor os cuidados naturais que merecem atenção nessa fase da vida.

Plantas medicinais na menopausa: cuidados e segurança

O fato de uma substância ter origem vegetal não significa que ela seja sempre segura para todas as pessoas. Plantas medicinais e produtos concentrados podem causar efeitos adversos, apresentar contraindicações ou interagir com medicamentos.

Mulheres com histórico de doenças sensíveis a hormônios, que utilizam medicamentos continuamente ou que estão em acompanhamento por outras condições de saúde devem conversar com um profissional habilitado antes de iniciar o uso de suplementos ou fitoterápicos à base de soja.

Também é importante procurar orientação de um profissional de saúde quando os sintomas da menopausa prejudicam o sono, o bem-estar ou as atividades cotidianas. Existem diferentes possibilidades de cuidado, e a escolha deve ser individualizada.

Autocuidado é escutar o próprio corpo

Cuidar de si durante a menopausa vai além de procurar uma planta que alivie determinado sintoma. É também observar as próprias necessidades, respeitar os limites do corpo, manter uma alimentação variada, cultivar relações de apoio e encontrar práticas que favoreçam o bem-estar.

O yoga, a meditação e os momentos de pausa podem contribuir para uma rotina de atenção ao corpo e às emoções, sem substituir os cuidados médicos necessários.

A tradição oferece conhecimentos valiosos, enquanto a ciência ajuda a compreender os benefícios, os limites e os riscos de cada recurso. Quando caminham juntas, com respeito e responsabilidade, essas duas dimensões podem ampliar nossa compreensão sobre o cuidado integral.

No Rosa Interior, acreditamos que reconectar-se consigo mesma também significa buscar informação de qualidade, fazer escolhas conscientes e acolher cada etapa da vida com presença e gentileza.

Nota: Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação ou orientação individual de um profissional de saúde.

Referências bibliográficas

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Plantas medicinais e fitoterápicos no SUS. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/sectics/plantas-medicinais-e-fitoterapicos/plantas-medicinais-e-fitoterapicos-no-sus
  2. BRASIL. Ministério da Saúde. Tabela ReniSUS — Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/sectics/plantas-medicinais-e-fitoterapicos/plantas-medicinais-e-fitoterapicos-no-sus/tabela-renisus
  3. BRASIL. Decreto nº 5.813, de 22 de junho de 2006. Aprova a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/decreto/d5813.htm

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